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A herança arquitectónica no “Panorama” de Mónica de Miranda

Artigo

A herança arquitectónica no “Panorama” de Mónica de Miranda

A artista desenvolve este projecto há mais de três anos e achou importante trazer para Luanda.

Andrade Lino
18/12/2018
A herança arquitectónica no “Panorama” de Mónica de Miranda
Foto por:
Andrade Lino

Decorre desde o passado dia 21 de Novembro, na Galeria Banco Económico, a exposição individual da fotógrafa angolana Mónica de Miranda, denominada “Panorama”, amostra que encerra o ciclo de exibições deste ano, sob égide da This is Not a White Cube (TINAWC).

O projecto, que já mereceu várias digressões no exterior, com ponto de partida em Londres e daí circula vários espaços, dos quais se destacam feiras de arte, integra, além de peças fotográficas, algumas delas inéditas, vídeo e instalação, reunindo várias obras de vários conteúdos sobre Luanda.

Há peças que começam em 2015, segundo a artista, e desde então tem vindo a retratar vários espaços de Luanda, desde hotéis, cinemas, um pouco olhando para o urbanismo da cidade, os edifícios mais antigos e a sua relação com o presente.

“Essa exposição é uma oportunidade de mostrar suporte de trabalho que tenho desenvolvido ao longo do tempo e acho que era importante mostrar Luanda, porque é um trabalho sobre a cidade que fui apresentando fora, retratando um pouco o povo, a história, os lugares e a dinâmica das coisas”, declarou ao ONgoma News.

Este que considera ser um marco importante na sua carreira artística, é um trabalho que olha para cidade, para a sua arquitectura, é um olhar para a casa e para a família.

“Por isso nós temos essa sequência  toda,  e o que é interessante é que quando entramos para a exposição vimos uma das construções mais antigas, que é o Hotel Globo, que surgiu de uma forma muito biográfica. Havia casas em Luanda que eu vim para fotografar mas já não as encontrei, já desapareceram, eu tinha vivido no edificío da Cuca, e quando eu cheguei já tinha sido demolido, então eu andei à procura de um lugar que me permitisse criar o cenário da época 70, e é aí que encontro o Hotel Globo, nem sabia o que é que era e contei uma história biográfica”, explicou Mónica de Miranda, clareando, então, que as obras expostas, além do olhar para a arquitectura, têm um ponto de partida biográfico, de alguém que, sendo de descendência angolana e tendo crescido fora, olhar para a cidade de Luanda e tenta  entender essa minha herança cultural.

Foi um processo longo, conta, porque precisava d autorização para fotografar alguns dos lugares, daí que o projecto demorou tanto tempo, porque “uma coisa é só fotografar os espaços vazios de arquitectura  e outra é contar mais uma história, nestes espaços que trazem memórias de um passado”.

Com o “Panorama”, que será exibido até ao dia 25 de Janeiro de 2019, a autora pretendia contar mais uma história, e por isso era importante ter vídeos, para animar todos os espaços que vistos nas fotografias. Assim surgiu também a ideia de trabalhar com uma orquestra, e sendo que a cidade tem uma presença de som muito grande, como os sons dos geradores e outros.

“A cidade de Luanda é muito grande para estar silenciosa, e de certa forma eu quis olhar para esse contraste”, esclareceu.

Referiu, entretanto, não ser um projecto comercial, e que é importante vermos Luanda como uma cidade que está em crescimento, não esquecer a sua história, pois “há uma série de edifícios com valor incalculável em termos de património, porém é ainda mais indispensável repensar a questão do crescimento urbanístico”.

Sónia Ribeiro, fundadora da TINAWC, rematou que a instituição propõe este tipo de projectos, que saem da rotina da estética existente em Angola, que procuram criar rotura e que façam as pessoas verem outros tipos de materiais, meios e de narrativas.

“Eu sei que a fotografia não é algo muito comum sobre o ponto de vista positivo em Angola, mas é precisamente por isso que nós achamos que este tipo de trabalho faz sentido aqui, eu sei que o público precisa mais ainda de algum conhecimento, e damos assim essa oportunidade de pesquisar, de ver, e virem a ver outro tipo de arte”, afirmou.

Andrade Lino
Jornalista e Fotógrafo

Amante das artes visuais e da escrita, além de jornalista e fotógrafo, Andrade Lino é também estudante do curso de Licentura em Língua Portuguesa e Comunicação na Universidade Metodista de Angola. Nos tempos livres é músico e produtor.

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