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“A relação entre a antiga e a nova geração de escritores é, nos nossos dias, homogénea”, afirmam especialistas

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“A relação entre a antiga e a nova geração de escritores é, nos nossos dias, homogénea”, afirmam especialistas

O evento decorreu nesta última quarta-feira.

Andrade Lino
29/4/2019
“A relação entre a antiga e a nova geração de escritores é, nos nossos dias, homogénea”, afirmam especialistas
Foto por:
DR

Os escritores Cristóvão Neto e John Belas (Jorge Marques Belas) acreditam que a relação entre a antiga e a nova geração de escritores é, nos nossos dias, homogénea.

Os homens de letras fizeram esta afirmação à margem da mais recente edição das Noites de Poesia, um projecto da Fundação Arte e Cultura, que teve lugar nesta quarta-feira última.

“O conflito de gerações existe de facto porque resulta da época em que vivemos, mas isto não deve funcionar como entrave no relacionamento, na cooperação e na vivência diária”, disse Cristóvão Neto, que entende que a relação entre as duas gerações constitui “um conjunto de forças, de vectores que se cruzam ao mesmo tempo que se distanciam, como é a vida”.

“A vida é feita de encontros e desencontros e não há mal nisso. É preciso olhar com uma certa tranquilidade nestes tipos de fenómenos. Eu sou daqueles que tem muita esperança. Por isso é que estou à vontade com os jovens, com as crianças e com as pessoas de 70 anos”, reforçou o autor.

Para John Belas, a relação entre as duas gerações é homogénea na medida em que, justifica, “estamos a ver muita nova geração a seguir as pegadas da velha geração”.

“Tem que haver referências porque uma geração é feita de forma cronológica e não de forma dispersa. Começamos a ver agora a nova geração a declamar os poemas de quem é já consagrado. Quer dizer que já estão a ver uma pessoa consagrada como referência sua e, se assim continuarem, é provável que estejamos no bom caminho e que estes exemplos destes jovens sigam-se por outras associações juvenis a nível de todo país”, afirmou.

A reclamação do factor “qualidade dos livros produzidos nos nossos tempos” constitui, segundo Cristóvão Neto, um fenómeno complexo cuja discussão ou análise não deve ser feita de ânimo leve.

“As culpas estão distribuídas. Quer a geração precedente, quer a nova geração, culpam as próprias escolas, etc. Mas eu também olho com alguma tranquilidade. Acompanho jovens a escrever muito bem, muito melhor do que muitos escritores do passado. Mas também há muitos jovens a escreverem muito mal. O tempo depois se encarrega de separar o trigo do joio. Alguns se empenharão com força e aprenderão. Deixai os jovens caminhar, o farol é sempre a esperança. A esperança de que amanhã vai escrever melhor, a esperança de que amanhã terás mais lucidez para escrever o melhor poema”, augurou.

Por outro lado, a exemplo de outras edições das Noites de Poesia, o escritor Cristóvão Neto foi homenageado com música, declamação de poesia e teatro.

Quanto a isso John Belas mostrou-se satisfeito com a homenagem feita ao seu homólogo e espero que a Fundação continue a fazer mais homenagens para valorizar os homens das artes-letras angolanas, ultimamente poucos valorizados, mas acredita que não é porque não têm valor, são apenas poucos atendidos no mosaico cultural presente da nação”.

Citado no comunicado que recebemos, o também poeta entende que as homenagens fazem com que a juventude se sinta cada vez mais ávida.

“Então, penso que acções como estas da Fundação Arte e Cultura devem ser apoiadas para que a nação perceba que nenhuma sociedade conseguiu desenvolver sem a educação e nunca se faz educação, em parte nenhuma, sem livros; e não podem existir livros se não existirem escritores”, concluiu.

Cristóvão Neto, por seu turno, encarou a homenagem com muita satisfação. “Estar com a juventude é sempre muito agradável. Rejuvenesce as forças, aprendemos a viver coisas de que nos tínhamos esquecidos, recuperamos algumas energias e, portanto, é sempre reconfortável estar com a juventude”, expressou.

Andrade Lino
Jornalista e Fotógrafo

Amante das artes visuais e da escrita, além de jornalista e fotógrafo, Andrade Lino é também estudante do curso de Licentura em Língua Portuguesa e Comunicação na Universidade Metodista de Angola. Nos tempos livres é músico e produtor.

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