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Escritor Ondjaki defende maior dedicação dos Ministérios na questão do acesso aos livros

Artigo

Escritor Ondjaki defende maior dedicação dos Ministérios na questão do acesso aos livros

Há ainda quem busca felizmente o livro físico.

Andrade Lino
8/11/2018
Escritor Ondjaki defende maior dedicação dos Ministérios na questão do acesso aos livros
Foto por:
Andrade Lino

Com a actual revolução da informática, e olhando para como uma grande parte da população angolana é jovem e essa se expressa maioritariamente por meios electrónicos, o escritor angolano Ondjaki considerou que, a nível oficial, do ponto de vista dos Ministérios da Educação e da Cultura, tem que haver muita atenção, nesta senda da procura de identidade.

Essas entidades têm que ter a preocupação de auscultar e entender quais são os principais meios de recepção dessa comunidade mais jovem e de interacção com eles, sublinhou.

“Não é tudo tecnológico, porque não há dinheiro para todo mundo ter tanta tecnologia. Não que as pessoas não gostassem ou não conhecessem tecnologia. Gostam e conhecem, mas nem toda gente tem acesso a ela”, precisou o também poeta, por ocasião do evento Puxa-Palavra, com o escritor Pepetela, subordinado ao tema “A arte como arma de identidade cultural”, no âmbito do projecto Kaluandando.com, promovido pelo Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA), na semana passada.

Há ainda quem busca felizmente o livro físico, ressalvou, tendo continuado que não é que os jovens não gostem de ler, mas também não se pode dizer que o problema está nos preços dos livros.

“Os livros são caros, sim, mas tudo em Angola é caro. Os CDs também são caros, mas compra-se mais CDs do que livros. As bebidas são caras, mas compra-se mais bebida do que livros. Portanto, a questão não é simples. Não é só o preço, nem só o acesso, temos que estudar uma combinação de factores”, referiu Ondjaki.

Os impostos do papel, da importação dos livros, para o autor, não são uma brincadeira. “Eu, pessoalmente, não ganho dinheiro, mais nem menos, se a ministra decidir baixar os impostos. Agora, toda a população de Angola ganha mais conhecimento se o papel e a importação dos livros, pelo menos os de conteúdos nacionais, forem menos taxados”, explicou.

“O preço do livro resolve tudo? Não. Mas acredito que uma pessoa, se estiver em dúvida e vir um livro hoje a 3000 kz, mas amanhã vir a 500 kz, claro que vai optar pelo menor preço”, exemplificou, afirmando que o Estado tem que subsidiar.

“Como em qualquer parte do mundo, por exemplo, a questão da poesia e do teatro: Qual é a editora que quer fazer livros de poesia ou de teatro? Nenhuma. Querer, no sentido de que seja o seu maior sonho. O Estado tem que ajudar, porque não podemos deixar de produzir poesia e teatro, pois são coisas que fazem parte da humanidade”, defendeu.

Contudo, relevou, há coisas que não dependem do Estado, como falar com os filhos, os professores falarem com os alunos, e criarem-se espaços de debate.

“E nota-se, cá, em Angola, felizmente, um público jovem curioso, o que em muitos lugares já não existe, então temos que aproveitar”, concluiu.

Andrade Lino
Jornalista e Fotógrafo

Amante das artes visuais e da escrita, além de jornalista e fotógrafo, Andrade Lino é também estudante do curso de Licentura em Língua Portuguesa e Comunicação na Universidade Metodista de Angola. Nos tempos livres é músico e produtor.

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