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Historiador Adriano Mixinge defende um tratamento da arte voltado às questões sociais

Artigo

Historiador Adriano Mixinge defende um tratamento da arte voltado às questões sociais

Adriano Mixinge foi um dos oradores convidados do TEDx Luanda - 2018.

Andrade Lino
24/7/2018
Historiador Adriano Mixinge defende um tratamento da arte voltado às questões sociais
Foto por:
Andrade Lino

O historiador angolano Adriano Sebastião Mixinge considerou que o valor da arte angolana é um pouco relativa e variada de artista para artista, mas tem tendência a apreciar mais obras que retratam a memória da arte cultural e que de algum modo possuem um carácter interventivo.

O também crítico de arte, que foi um dos oradores convidados Da 5ª edição do TEDx Luanda, um evento cujo foco centra-se nos indivíduos, nas organizações, na inovação e no impacto desta na sociedade, decorrido na Academia BAI, afirmou que devemos decorar as nossas casas com obras de arte bonitas, mas também é importante que as obras nos façam pensar, nos façam reflectir sobre as nossas histórias, sobre aquilo que está a acontecer, sobre o momento que Angola atravessa e sobre o futuro.

“São essas as obras que a longo prazo podem ser muito mais relevantes”, reforçou, sublinhado que desde a antiguidade que existem momentos assim. “Quer dizer, mesmo depois da independência, estamos a falar da arte patriótica associada ao momento de libertação nacional, o nosso país precisou de gente que falasse de si própria. Não podemos estar a falar que numa perspectiva existencialista, a pensar só no lazer e nos ofícios, acho que é importante também as pessoas falarem daquilo que está a acontecer hoje e fazê-lo de uma maneira sublime, de uma maneira que possa transformar o cidadão e a nossa realidade”, alertou, em entrevista ao ONgoma News.

Para além disso, o ainda curador de arte relevou a necessidade de inserirem cadeiras de artes, não apenas nas academias propriamente ditas, mas em qualquer uma, “porque se o estudante tiver uma disciplina de apreciação das artes, isso vai ser útil para ele, ele poderá na vida apreciar melhor uma música, um quadro, mas com conhecimento de causa, não para improvisar”, explicou Adriano Mixinge, e acrescentou que, por outro lado, mesmo um engenheiro tem que ter conhecimentos de cultura geral e a cultura geral passa não apenas por uma leitura, mas também por uma apreciação das artes.

Disse ainda que Angola precisa personalizar cada um dos segmentos do sistema geral da arte, o que passa pelas galerias, o próprio mercado, as revistas especializadas, as escolas e as críticas de arte, e entretanto sublinhou que saber desenhar ou fazer traços não é o que define o artista.

“É necessário haver conhecimento na matéria. Há escola de arte, deve ir à escola. É verdade que temos uma tradição de bons autodidactas, mas o auto-didactismo não pode assegurar o curso de uma vida artística de ninguém, é preciso haver conhecimento académico”, observou, reiterando a necessidade de se fazer um grande investimento nos segmentos do sistema geral da arte em Angola.

Licenciado em História de Arte pela Faculdade de Artes e Letras da Universidade de Havana (Cuba, 1993), Adriano Sebastião Mixinge tem mais de 20 anos de experiência profissional relacionada às diferentes manifestações da arte e da cultura, particularmente na gestão de projectos e instituições, sobre as práticas e conhecimento dos circuitos artísticos, sobre o papel social do artista e sobre o mercado e economia da cultura, entre outras áreas.

Andrade Lino
Jornalista e Fotógrafo

Amante das artes visuais e da escrita, além de jornalista e fotógrafo, Andrade Lino é também estudante do curso de Licentura em Língua Portuguesa e Comunicação na Universidade Metodista de Angola. Nos tempos livres é músico e produtor.

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