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“Mulher apoia mulher” e “o olhar feminino é indispensável”

Artigo

“Mulher apoia mulher” e “o olhar feminino é indispensável”

“O olhar feminino não é apenas único, é indispensável.”

Andrade Lino
16/3/2020
“Mulher apoia mulher” e “o olhar feminino é indispensável”
Foto por:
DR

As fotógrafas Allícia Santos e Laihla Évora defendem que a figura da mulher deve ser homenageada todos os dias, não apenas no “seu” mês ou dia 8 de Março, e “isso é parte de uma consciência maior”.

As mulheres apoiam-se umas às outras é preciso nos libertarmos das garras dessa prisão fictícia que é achar que as mulheres são falsas, não se apoiam, nem confiam umas nas outras, afirma Allícia Santos, realçando que “esse é o estigma criado para fomentar a desunião no seio delas”.

A artista integra o colectivo de sete fotógrafas que compõe a exposição “Mulheres que marcam”, de que fazem parte ainda, além de Laihla, Djelsa Ariana, Bell Whtite, Lwiana Almeida, Níria Gomes e Selma Fernandes, patente na galeria do Shopping Talatona desde o dia 2 deste mês, promovida pela Unitel. E como exemplo de que existe verdadeiramente união entre as mulheres, todas as participantes são amigas, revelou a fotógrafa, em entrevista ao ONgoma News.

“Quando uma está mal, a outra vai em socorro e nos apoiamos de todas as maneiras, quer seja por conselhos, administração de aulas, workshops, enfim. Temos de lutar contra esse estigma  e fazer sentir que a mulher não é apenas para ser  celebrada no mês de Março, mas todos os dias. É um mistério e uma bênção sermos mulheres, e com tudo aquilo que acarretamos, as responsabilidades que a sociedade nos dá e a pouca valorização que temos do nosso trabalho, do nosso esforço, a constante lembrança de que somos o sexo frágil, mas não somos, é a altura de irmos para frente e ocupar o nosso lugar à mesa, para conseguirmos contar as nossas próprias histórias”, descreveu a entrevistada.  

Foto de Allícia Santos

Para ela, então, a exposição, onde participa com fotografias de rua, serve como uma chamada de atenção... “Porque somos fotógrafas no resto de todos os meses, não apenas em Março. Merecemos, sim, reconhecimento e partilhar a nossa arte sempre”, realçou Allícia Santos, tendo continuado que cada uma olha para o dia-a-dia de uma forma diferente.

“Temos visões mais apaixonadas, visões menos românticas, temos questões da sociedade retratadas, como é o meu caso e da Bella White, temos contadoras de histórias como a Lwiana e a Níria, que retratam as suas viagens, temos o caso da Selma, que celebra a feminilidade da mulher rural, a Laihla, que celebra a feminilidade a tempo inteiro, enfim. É esse o nosso contributo para a arte contemporânea, o que é a fotografia para nós e como acontecem as coisas no nosso mundo. Mostrarmos uma Luanda e Angola diferente do ordinário, e por isso é importante para a valorização dos criadores de conteúdos nacionais”, reforçou.

Já Laihla Évora lamenta o facto de em todos os anos ser a mesma história. “Chega o mês de Março e são só felicitações, homenagens, flores, cartões e chocolates, mas em alguns casos, isto tudo não passa de golpes publicitários claramente criados para aumentar as vendas. Porque, quando o mês de Março passa, e a mulher forte e guerreira que todos “amam” já não estiver na moda, voltamos ao velho costume de tratá-la como uma cidadã de segunda categoria desta nossa sociedade patriarcal”, deplorou.

Apaixonada por fotografia desde muito cedo, Laihla conta que participou nesta exposição com quatro obras que fazem parte de um projecto, no qual fotografa mulheres de várias idades e estratos sociais e recolhe os seus testemunhos.

Foto de Laihla Évora

Disse ainda que tem seguido e realmente aprecia os esforços da Unitel para atrair mais mulheres de diferentes áreas ao conhecimento público e ganhar reconhecimento pelos seus feitos, pois também acredita que ainda é incomum ver mulheres inseridas no mundo da fotografia, aqui em Angola.

“Infelizmente, ainda é uma área maioritariamente dominada por homens. Mas eu sei que, por poucas que sejam e por mais que lhes falte exposição, elas existem, e são fenomenais naquilo que fazem. Espero que mais mulheres se apresentem e decidam enveredar pelo universo fotográfico”, disse, e expressou que ter a sua primeira exposição ao lado de outras mulheres excepcionalmente talentosas da sua área realmente foi uma experiência inesquecível.

Pensa a fotógrafa que “este projecto serve de lembrança de que a mulher merece todo o respeito e reconhecimento que lhe são devidos, não só durante o “mês da mulher”, mas sempre”.

O testemunho da mulher africana, enquanto artista, é inestimável, asseverou, tendo sublinhado que “é ela o pilar da nossa sociedade e é justo que a sua história seja contada sob a sua perspectiva”, pois “o olhar feminino não é apenas único, é indispensável”.

Andrade Lino
Jornalista e Fotógrafo

Amante das artes visuais e da escrita, além de jornalista e fotógrafo, Andrade Lino é também estudante do curso de Licentura em Língua Portuguesa e Comunicação na Universidade Metodista de Angola. Nos tempos livres é músico e produtor.

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