Refresque o seu browser!
Oops! Something went wrong while submitting the form.
Regresso às aulas. Apesar dos problemas, cá estamos de novo com vontade de ensinar e aprender

Artigo

Regresso às aulas. Apesar dos problemas, cá estamos de novo com vontade de ensinar e aprender

O ensino em Angola ainda se debate com problemas básicos. Faltam salas de aulas, meios de ensino e professores...

Sebastião Vemba
16/2/2018
Regresso às aulas. Apesar dos problemas, cá estamos de novo com vontade de ensinar e aprender
Foto por:
DR

O ensino em Angola ainda se debate com problemas básicos. Faltam salas de aulas, mas onde existem salas de aulas faltam meios de ensino ou professores. Em Luanda, por exemplo, onde se imaginava que a situação estivesse menos mal, o director provincial da Educação, André Soma, admitiu, em entrevista ao Jornal de Angola, que o sector se debate com falta de salas de aulas e de carteiras. A província precisa de pelos 63 mil carteiras, 829 quadros didácticos e 829 mesas com carteiras para professores. 

Mas, os problemas são generalizados. De acordo com a ministra da Educação, Maria Cândida Teixeira, “de entre as grandes dificuldades vivenciadas pelo sector destacam-se a redução em 4,8% de professores, o que teve como consequência o aumento do rácio professor/aluno”. Ou seja, um professor passou a atender muito mais alunos do que o normal. Porém, a responsável justificou-se com o actual período económico que o país está a viver, o que exige de cada um dos profissionais do sector, disse, “maior solidariedade e responsabilidade na execução das acções” que lhes “são acometidas e saber aproveitar e utilizar racionalmente os recursos escassos” que estarão à sua disposição, de acordo com o seu discurso de cumprimentos de fim de ano.

Maria Cândida Teixeira, ministra da Educação

Neste sentido, continuou a responsável, “o Estado, a sociedade civil e o sector privado devem continuar a conjugar e a aumentar os seus esforços com o objectivo de realizar uma gestão financeira rigorosa das instituições; utilizar adequadamente os fundos públicos; corrigir, melhorar e aprimorar procedimentos; criar coisas novas onde for necessário para aumentar a nossa capacidade de resposta e satisfazer as necessidades da sociedade”.

Apenas se reduziu o número de crianças cujo direito ao ensino tem sido violado.

Segundo a ministra Maria Cândida Teixeira, esse é o tipo de atitude necessária para trilhar “o caminho do desenvolvimento e do progresso” que “começa a ser construído com o trabalho de cada um” dos profissionais do sector, “e exige de cada instituição pública ou privada, uma disciplina aceitável, uma orientação clara e condução responsável, combatendo os comportamentos negativos de corrupção e o nepotismo”.

A responsável acrescentou ainda que todos os intervenientes do sector têm a “a obrigação moral de continuar a criar condições para que nenhum cidadão nacional se sinta excluído do processo de crescimento do país, mediante a oferta de uma Educação que promove o respeito pelos símbolos nacionais, a valorização da história, da cultura nacional, da identidade nacional, da unidade e integridade territorial, da preservação da soberania, da paz e do estado democrático, bem como dos valores morais, dos bons costumes e da cidadania, em suma, para garantir uma família sã, respeitada e comprometida com os desafios da época”.

A dura realidade da educação

Frequentaram o ano lectivo de 2017 cerca de 10.000.000 de alunos, atingindo assim uma taxa bruta de escolarização de 122,1%.

Entretanto, os objectivos do sector esbarram-se com uma realidade dura e controversa.  De acordo com a ministra, fruto da expansão da rede escolar, o Executivo conseguiu aumentar a taxa bruta de escolarização, bem como a diminuição do número de alunos fora do sistema de educação. Atente-se que, infelizmente, ainda não se erradicou a falta de acesso ao sistema de ensino obrigatório. Apenas se reduziu o número de crianças cujo direito ao ensino tem sido violado. Em todo o país, cerca de dois milhões de crianças estão fora do ensino neste ano lectivo, principalmente na primeira classe e os que terminam a 6ª classe, informou a ministra numa entrevista recente à Televisão Pública de Angola. Mas, quem tem acesso ao ensino, ainda não beneficia de um sistema de qualidade. Cândida Teixeira admite que “relativamente à qualidade, existem inúmeros desafios no que toca à preparação dos professores que devem conduzir o processo de aprendizagem, a produção dos meios de ensino (manuais escolares) e dificuldades na relação entre a comunidade e a escola”, mas garante que a situação conhecerá melhorias, de acordo com o “Plano Nacional do Desenvolvimento da Educação 2018/2030, submetido à aprovação e que deverá ser retomado neste mandato do Governo”, uma vez que o “documento foi precedido de um diagnóstico da Educação, depois da avaliação da reforma educativa, que permitiu fazer as projecções do desenvolvimento do sector ao longo desses anos”.

Entretanto, frequentaram o ano lectivo de 2017 cerca de 10.000.000 de alunos, atingindo assim uma taxa bruta de escolarização de 122,1%, e no ano lectivo 2018 a previsão era de matricular acima de 10.200.000 alunos. Ainda no ano passado, disse a ministra, perspectivou-se a entrada em funcionamento de cerca de 774 novas escolas primárias, 221 secundárias do 1.º ciclo e 161 do 2.º ciclo, correspondendo a um total de 13.872 salas de aula, para satisfazer as necessidades de novos ingressos em todo o sistema de educação, mas não esclareceu se este objectivo foi cumprido na íntegra.

O certo é que, em Luanda, por exemplo, de acordo com o director provincial da Educação, André Soma, receia-se que mais 106 mil alunos fiquem sem estudar, devido à falta de salas de aulas de professores. A província, segundo o responsável, dispõe de 762 escolas este ano, entram em funcionamento sete novas unidades, nomeadamente duas no município de Talatona e uma em Viana, duas no Cazenga, com seis e doze salas de aulas, respectivamente, uma na Maianga, com doze salas, uma no município de Belas, com 12 salas, e outra, com 15 salas, no município do Kilamba Kiaxi. Já em termos de colégios privados, a capital do país conta com 1.171 unidades, ao passo que existem 1497 escolas comparticipadas.

No total, serão mais de dois milhões de alunos inseridos no sistema de ensino em Luanda, sendo mais de quatrocentos mil em colégios privados e pouco mais de trezentas mil crianças em escolas comparticipadas, o quer dizer que as instituições públicas absorvem o maior número de estudantes.

Segundo a ministra da Educação, Angola conta com 94 escolas de formação de professores. No ano lectivo 2017, foram abertas  cerca de dois milhões de vagas, nomeadamente, 1.200.000 para a 1.ª classe, 438.247 para a 7.ª classe e 152.516 para a 10.ª. Mas, ressalvou a responsável, “apesar dos resultados positivos que atingimos, ainda há e haverá sempre, como é natural, por causa da evolução do contexto económico e social actual, aspectos e problemas que requerem mais atenção e resolução prioritária nos domínios da Qualidade das Aprendizagens, da Administração do Sistema, da Gestão, da Monitorização, da Supervisão e da Inspecção da Educação”, sendo necessário que haja “maior celeridade na mudança de consciência para a participação activa de todos na vida das nossas escolas, nomeadamente alunos, professores, gestores escolares, encarregados de educação, e parceiros sociais”.

Neste contexto, continuou, “impõe-se um cuidado extremo na aplicação dos fundos públicos destinados a implementar as acções previstas no Plano Intercalar 2017-2018 e no Programa de Desenvolvimento Económico do Governo 2018-2022, que aponta para a necessidade de haver maior rigor e exigência na qualidade da formação dos profissionais da educação”, afirmou.

No entanto, apesar dos vários constrangimentos, mantém-se a vontade dos docentes em ensinar, ao passo que estudantes mostram-se expectantes em relação ao ano lectivo de 2018, em que querem aprender mais e melhor.

 

 

 

 

Sebastião Vemba
Partner e Director Editorial do Canal ONgoma

Jornalista há dez anos, Sebastião Vemba é um empreendedor na área da comunicação. Além do Colégios de Angola, é fundador do ONgoma News e do Acelera Angola. Dedica-se também às artes visuais, em particular à fotografia e ao vídeo.

1
Catálogo
2
Artigos
3
multimédia
4
agenda